Africa Adventure

BOTSWANA DO SUL AO NORTE – PARTE II

 
Possuíamos dois mapas impressos, o AFRICAN ROAD MAPS, da MapStudio, e um outro, African Map Central & South, o qual Marcelo comprou em uma Estação de Serviço.

Nestes Mapas havia muitos desencontros de informações sobre os acessos a determinadas regiões pelas estradas secundárias.

Vale lembrar que as estradas principais na Botswana na verdade só servem para deslocamento e, caso as siga cumprindo as orientações cartográficas, certamente você não conseguirá estar à frente das surpresas que o coração da África poderá reservar.


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Chegamos a Ghanzi no final da tarde. Para não ficar a mercê da noite em razão de evitarmos transtornos com os animais, principalmente pela região já ser habitada por felinos com instintos caçadores, surpresa que não queríamos para que não viesse a atrapalhar a nossa viagem, fomos a procura de algum Lodge.

Depois de algumas informações nos repassada por habitantes de Ghanzi que nos indicaram um hotel, já plotado no meu GPS, decidimos ir para um Lodge, um pouco mais ao norte, distante do centro de Ghanzi.

A noite já começava a chegar e no Lodge, depois do check-in, fui para o meu quarto tomar uma boa ducha antes do jantar. Enquanto arrumava a minha bagagem, peguei o laptop e fui fazer umas pesquisas no MapSource. Descobri que havia algumas estradas assinaladas no mapa digital, que não constavam na cartografia impressa. Estes acessos tinham vários “pontos de interesses” assinalados, embora não houvesse descrição sobre o que seria.


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Fui para o restaurante do Lodge e aguardei Marcelo chegar. Ali, propus que ficássemos mais um dia em Ghanzi a fim de conhecer estes lugares assinalados no MapSource.

Naquele momento me dei conta que o destino da nossa viagem era traçado a cada instante

Acordamos cedo, deixamos nossas bagagens no Lodge, renovamos mais uma diária e partimos para as coordenadas assinaladas no GPS.

Não andamos muito, talvez uns 10 quilômetros ao sul. Chegamos ao acesso de uma estrada que tinha algumas indicações de gravuras e artesanatos tribais. A curiosidade e o desejo de “querer conhecer” da minha parte e do Marcelo, sequer permitiu que consultássemos um ao outro sobre a alternativa de seguirmos ou não em frente.

Andamos uns poucos quilômetros naquela estrada de terra misturada a areia do Kalahari e encontramos uma “bacia de água” e logo veio a dúvida: “Será que dá pra passar?”. Tomei a frente e percebi que mesmo com a motocicleta tendo a sua roda a alguns palmos debaixo d´água, estava seguro pois a tração dos pneus nos levaria em frente.

Marcelo é um excelente motociclista, sempre primando pela segurança e tem uma característica diferente do meu estilo de pilotagem em terremos off road. Sinto-me muito mais confortável conduzindo a motocicleta em velocidades um pouco mais alta nestes pisos, do que o estilo mais tranquilo de pilotagem do Marcelo no mesmo terreno. Desta forma que me adiantei até um trevo, onde dali não mais havia qualquer informação de acesso no meu GPS.

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Enquanto aguardava o Marcelo, fui observando se havia marcas de pneus em alguma direção. Era difícil, a chuva no piso de terra, agora com muito mais areia, não permitia que o terreno apresentasse qualquer indício de que veículos tivessem recentemente passado por aquelas estradas.

Marcelo chegou e a decisão foi no “par ou ímpar”. Na verdade ambos ganharam, porque a nossa regra era “par eu ganho, e ímpar você perde”... Mas intuitivamente ligamos os motores e seguimos para o oeste.

Surge uma pequena vila tradicional do Kalahari, onde alguns homens e mulheres trabalhavam montando uma tenda.

Um homem que nos recepcionou com o dialeto local mostrava plena receptividade quanto a nossa presença. Saímos calmamente das motocicletas e seguimos este homem por meio dos demais habitantes que estavam preparando o espaço para uma espécie de comemoração.

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Em instantes surge uma mulher que falando inglês nos dá boas vindas e começa a nos mostrar o local. Para nossa surpresa, aquele espaço nada mais era que uma espécie de vila, que antecedia a recepção da aldeia dos bosquímanos. Era como se fosse uma recepção que controlava o acesso.

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Esta mulher nos dá algumas explicações sobre os critérios da visita a aldeia dos Bosquímanos, e diz que um homem da sua vila nos guiaria até um grupo de mulheres e crianças da tribo, pois os homens estariam caçando naquele momento.

Uma das condições seria que as motocicletas ficassem onde estavam estacionadas, pois teríamos que seguir na carroceria de um antigo caminhão Land Rover.

Pegamos o material fotográfico e embarcamos no alto daquela caçamba, que nos dava como visão, todo um cenário daquela savana do Kalahari.

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Não muito longe dali, já avistávamos algumas casas típicas de palha e adobe. Na medida em que nos aproximávamos víamos um pequeno de grupo de mulheres e crianças, sentados em volta de uma fogueira.

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O homem que nos serviu como guia, nos levou até as mulheres e crianças, que não se importaram com nossa presença e continuaram com seus afazeres. Uma mulher trabalhava esculpindo e recortando pedaços de osso para fazer colares ou pulseiras. As outras três mulheres tomavam conta dos seus filhos, uma que hidratava a sua criança, matando a sede com a água que estava acondicionada no ovo de avestruz, muito comum na região, enquanto a outra ensinava o seu filho a dar os primeiros passos.

Me chamou muito a atenção uma mulher com muitas marcas do tempo na sua expressão, que ali sentada nos observava e com um discreto sorriso de boas vindas.

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Ficamos neste local por mais alguns instantes e ao ofertar alguns pequenos donativos, fomos orientados pelo guia que não entregássemos em mãos e sim, depositássemos sobre um pano estendido próximo a fogueira. No final, o mais velho da tribo, faria a partição entre os demais.

Dali voltamos para a vila principal para pegarmos as nossas motocicletas e continuarmos a nossa rota pelo território da Botswana.

Ficou a lembrança e um aprendizado sobre aquele povo


Muito receptivos e acolhedores nos deram uma lição:

... por mais que fosse insignificante a nossa oferta diante os donativos, era nítido o espírito de solidariedade entre todos, onde o sentido de “egoísmo” parecia ser algo, que pelo menos ali, jamais teria algum dia existido!


E mais uma vez, a motocicleta nos levando ao encontro destes momentos.

Um grande abraço.

Eduardo Wermelinger


Leia também:
BOTSWANA DO SUL AO NORTE – PARTE III
 
 
 
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Comentários (15)

15/1/2012 19:21:57
RUITER FRANCO
Como nos faz bem ler, conhecer e viajar através de textos e relatos tão bem disponibilizados por verdadeiros MOTOCICLISTAS.
Mais uma Vez Obrigado aos 2.
 
8/1/2012 13:45:25
MARCELO ARAUJO
Mais do que uma viagem de Motoaventura, eh uma viagem as raizes da raca humana que ateh hoje estao presentes neste continente.

Abr,
Marcelo Araujo
 
7/1/2012 21:26:40
MAIZENA
Eduardo penso eu voce é um cara muito experiente, e marcelo parece ser tambem, cara voces são de uma coragem indiscritivel, todo sucesso para voces estamos acomanhando passo a passo isto e incrivel.
1 abraço
fui Maizena
 
3/1/2012 19:22:09
MARCOS TOSTES
Muito legal gente! Na próxima semana vai começar um programa na GNT sobre a Botswana, e na chamada da apresentação, aparece esta tribo. Edu, pura aventura! Só vc mesmo... Continue sempre assim. Abração. Marcos Tostes
 
3/1/2012 01:57:27
DOLOR DA SILVA
Prezados Eduardo e Marcelo, estou tomando nota de tudo, principalmente da parte mais...digamos...urbana, onde possa pilotar a minha Valkyrie.
Estamos desde Ushuaia na torcida para que tudo corra muito bem e que este ano de 2012 seja absolutamente ímpar, assim como a sua somatória.
Abraços
Dolor e Angela
www.fazedoresdechuva.com
 
2/1/2012 21:58:37
OTAVIO ARAUJO GUGU
Quanto mais viajamos e acompanhamos esse tipo de relato mais tenho a certeza de que a moto tem o poder de nos levar a aventuras e pazeres inimagináveis como os que descrevem os amigos Eduardo e Marcelo. Meninos, vocês são demais, em 2012 quero muito mais emoção, sempre com o CRIADOR nos cuidando de perto. Fraterno moto abraço a todos, Gugu.
 
2/1/2012 19:27:56
HORÁCIO FROSTHER
Eduardo, cadê os vídeos? Eu sei que vc filma tudo com a câmera do seu capacete! Publica aí pra gente!
Cara, demais esta viagem. Parabéns aos dois, vc e o Marcelo de BH por esta empreitada.
Abs. Frosther
 
2/1/2012 18:31:22
EDGARD BAIÃO
caramba... show de bola amigos....eta inveja positiva desta aventura....é sempre muito bom ver amigos motociclistas andando pelo mundo desbravando estradas e caminhos inexploráveis ainda por nós brasileiros.....sucesso total.
 
2/1/2012 13:45:26
PIETRO ARMEDON
Eduardo, viaggio fantastico. Belle immagini, la narrazione, portando informazioni sensibili e interessanti.
Un abbraccio da Milano.
 
2/1/2012 11:15:32
MARCIO PAVANELLO BRIGNOLI
Feliz 2012, e obrigado por compartilhar essas emoções que só uma grande aventura proporciona.
Boa viagem
 
2/1/2012 10:47:37
PAULO GIANINNI
Edu e Marcelo. O que mais me impressiona neste site de vocês é como a motocicleta, mesmo sendo a protagonista principal, nos remete a experiências que não só nos servirão de lição, mas uma demonstração que muito além daquilo que enxergamos, existem muitos outros valores.
Amigos, parabéns.
 
2/1/2012 10:23:29
MARA
Belo relato.

bjsss

Mara
 
2/1/2012 10:17:29
ADERBAL RAIMUNDO MACHADO DA SILVA
Caro Eduardo,
com a sua grande experiencia em longas viagens vc já teve algum problema mecanico com a sua moto. Pois aqui em Salvador tá havendo uma polemica a respeito da robustez das GS. O que me diz a respeito deste tema.
grande abraço feliz ano novo !
 
2/1/2012 09:13:07
RENATO BRESSAN
Pessoal,

continuo acompanhando voces. FANTASTICA JORNADA!!!!
 
31/12/2011 16:29:47
EVANDRO DALBEN
Quando mais viajamos mais aprendemos sobre a vida! Um belissimo relato de vivencia, acho que está ai o motivo de gostar tanto de viagens de aventura, digo Aventura = que nos leva a lugares desconhecidos e presenciamos momentos unicos na vida !

Parabens pelo relato, meu amigo Polones já me convidou diversas vezes para fazermos Africa, e acredito que esse sonho começa a aparecer em minha mente ... quem sabe daqui uns anos ...

Grande abraço

Evandro Dalben
 

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