Viagem pelo Mar Negro

Ferry de Trabzon (Turquia) para Sochi (Rússia)

27 e 28 de maio de 2011

 
O episódio do ferry e as 14 horas que passamos dentro do navio (?), dão material para um capitulo à parte nos relatos desta divertida viagem. Como já contei antes, passei meses perseguindo informação sobre esse (maldito) ferry de Trabzon, importante cidade no nordeste da Turquia e Sochi, no Cáucaso russo. Acho, de maneira geral, os ferrys muito práticos para encurtar tempo entre etapas complicadas ou, que geograficamente exigem um grande desvio.

Na Europa há muitos, por exemplo: Se você quiser ir da Itália à Grécia, pode ir por Veneza e Trieste, cruzar toda a Eslovênia, a Croácia, o Montenegro e Sérvia, atravessar a Albânia (que eu não recomendo) ou, a Macedônia, (aqui, você vai ficar obrigado a atravessar o Cossovo). Com isso, sua viagem deve durar, pelo menos, três dias.

Se você já conhece todos esses países e seu objetivo é a Grécia, vale a pena pegar um ferry em Ancona, navegar por 16 horas durante a noite e acordar novinho em folha na manhã seguinte para realmente começar sua viagem.















No caso deste ferry entre Trabzon e Sochi, a razão é um pouco mais sinistra. Há uma guerra não declarada entre a Rússia e a Geórgia e, portanto, não há fronteira por terra possível que permita a nossa volta ao Mar Negro. O problema que, devido aos problemas de imigração e alfândega da Rússia, ninguém sabe a que hora o tal do navio zarpa.

Conseguimos comprar as passagens na manhã do dia da partida (27/5).

Fomos instruídos pela companhia de navegação a estar com as motos no porto às 14hs. Uma vez liberadas as motos pelas autoridades turcas, teríamos que estar no terminal de passageiros do porto às 17 hs.

A cada vez que perguntávamos qual era o horário da partida, vinha uma resposta meio evasiva, tipo: Ah.... 7 ou 8.... Quando chegamos com as motos ao porto, vimos um barco de boas dimensões e
outro, pequenino, ao lado.

Fomos, com as motos, direto ao navio maior.... Ha, ha, não era aquele. Nosso navio era uma banheirinha, com 12 cabines. Embarcamos e o pessoal do “navio” se apressou a nos ajudar com a fixação das motos.

Em geral, nesse tipo de transporte, você tem uma fita de fixação que é ancorada no piso do porão, passa sobre a sela da moto e é fixada do outro lado, sempre no piso. Como dica, se um dia vocês tiverem necessidade de fixar a moto em um ferry, coloque as suas luvas sobre a sela onde a fita tirante passa e assim, você evita qualquer dano à sela da moto. Os nossos amigos, aqui da Rússia, fazem diferente. Colocam a moto apoiada contra a parede do navio onde previamente foi encostado um colchão de espuma velho.














Depois, passam uma fita imensa ao longo da moto. Tempo bom, o mar não se esperava estar muito agitado, portanto sem necessidade de amarrar tanto assim as motos.... Subimos para nossas cabines. Os casais, 3, tinham direito a cabines para duas pessoas. Nós, os 3 “solteiros”, compartiríamos uma cabine. Dividir a cabine com meus dois amigos de empreitada não é realmente um grande problema.
Complicado mesmo, foi dividir a pequena cabine com seis botas!!!!

O navio zarpou às 9 horas da noite, 4 horas depois de termos embarcado. Serviram um jantar de arroz com peixe que eu não me atrevi a comer. Não há muita gente a bordo e o fim do dia está muito bonito. Ficamos na ponte para curtir o sol e a brisa marinha. Logo, golfinhos seguem o navio. É sempre um
espetáculo pela maneira como brincam com a esteira deixada pela nave. Há um bar onde se instalam os passageiros turcos para fumar e beber. E como fumam. Há passageiras do sexo feminino.

De repente somos abordados por uma passageira russa que pergunta se não a queremos convidar para um “drinque”..... Você já viu esse filme antes? Pois é, as moças operam no ferry. E de ida e volta!
Não deu outra, passamos a chamar o navio de “Love Boat”. Confesso que pela manhã, acabei usando o serviço de uma delas.... Calma. Não é o que vocês podem estar pensando, foi só para preencher o formulário de alfândega que estava em russo... Como esta falava um pouco de inglês, aproveitei e
ofereci uma “graninha” para preencher os nossos 12 formulários... Depois de uma noite mais ou menos mal dormida, por causa da cama que estava quebrada, chegamos a Sochi com sol e golfinhos, em torno das 13 horas.

Nosso navio fez em torno de 6 nós de velocidade durante toda a noite... Lento. Descemos para soltar as motos e colocar a bagagem. Ficamos esperando no porão quase uma hora para poder desembarcar.
Os passageiros ali, todos amontoados na porta do navio e um russo vem e diz:

Bikers, bikers, imigração primeiro, depois as motos. Passamos a imigração sem grandes problemas. Meu passaporte brasileiro, sem visto, foi uma surpresa para a agente de imigração que logo puxou uma lista e confirmou que tudo estava bem.

O problema veio depois, o agente da companhia de navegação teve que preencher três formulários para cada um dos proprietários das motos, obviamente em russo, e para isso levou 2 horas!

Em seguida, os três formulários por moto foram entregues a um agente de alfândega que levou mais duas horas colocando os dados no computador.... Bem, se vai colocar no computador, para que fazer preencher e assinar os formulários manualmente?

Conseguimos deixar o porto às 17 horas e aqui eu me despedi de meus amigos para continuar a viagem em solo como havia informado anteriormente. Em Sochi, uma bela cidade freqüentada pela elite Russa, onde o próprio Putin tem uma casa, a primeira coisa que fiz foi procurar um posto de gasolina pois tinha
evitado de colocar combustível na Turquia onde a gasolina custa 3 dólares o litro. Na Rússia o preço do litro de 95 é 1 dólar.

Nos postos russos, se você quer pagar com cartão, precisa passar no caixa antes e dizer quantos litros quer colocar no tanque. Escrevi em um papelzinho que queria 20 litros de 95. Ela aquiesceu com a cabeça e me mandou o papelzinho de volta escrito: PIN
Eu perguntei em meu Russo quebrado: O que, PIN?
Ela disse, me dá o numero de PIN (código secreto) de seu cartão de crédito para eu colocar na máquina....
Certo. Seria a primeira vez que eu daria o código de meu cartão de crédito a alguém...

Peguei a estrada em direção ao norte logo em seguida. Belo fim de tarde, estrada travada ao longo da costa com muitas curvas, caminhões e gente voltando do trabalho.

Consegui fazer 250 kms em 4 horas nesse dia e achei um pequeno balneário bem organizado com um hotel herdado do período soviético que me aceitou como hóspede por uma quantia razoável.
Na Rússia, a gasolina é barata, mas hotel e restaurante são super-caros. Fui jantar em um pequeno restaurante com música ao vivo curtindo o fato de poder estar só depois de duas semanas passadas constantemente em companhia dos amigos. E o melhor de tudo, é poder ter contato com a gente local.
Ter tempo para as pessoas que tem curiosidade sobre você, a motocicleta e a viagem.

 
 
 
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Comentários (2)

2/2/2017 20:18:20
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