Viagem pelo Mar Negro

De Yerevan a Ardahan, Turquia

25 de maio de 2011

 
Hoje deixamos Yerevan para retornar à Turquia de onde deveremos tomar nosso ferry em Trabzon para a Rússia.

Como a Turquia não tem relações diplomáticas com a Armênia pelas razões que expus acima, as fronteiras entre os dois países são fechadas não permitindo a circulação de pessoas ou mercadorias.
A solução foi seguir em rumo norte para a Geórgia e dali, passar para a Turquia.

Escolhemos a estrada do oeste da Armênia, que, apesar de não estar em seu melhor estado de conservação, permite visualizar uma paisagem de tirar o fôlego em meio a belas paisagens e vilarejos perdidos no mapa.

O dia foi simplesmente maravilhoso. Saímos às 9 hs da manha e chegamos a Ardahan, 13 horas depois.
Foram apenas 480 kms, mas tivemos que cruzar duas fronteiras e aproveitamos para visitar um par de sítios arqueológicos pelo caminho, sem mencionar que gastamos mais de duas horas para almoçar. Aqui, mais uma vez, a insistência gastronômica de meus amigos italianos.

Gosto de boa comida e, apesar de estar viajando profissionalmente há mais de 35 anos por este “mundinho de Deus", ainda gosto de experimentar pratos típicos e iguarias locais. Isso, no seu devido tempo e lugar.

Acho que um almoço de duas horas em meio a uma jornada longa só contribui para alongar desnecessariamente o dia e agravar o cansaço que se acumula naturalmente ao longo de vários dias de viagem.

O jeito é fazer que não viu e divertir-se com as brincadeiras enquanto esperávamos pela comida: Salada, queijo, costeletas de porco e cebolinhas cruas, regadas com cerveja e vodka. Muito bom para acertar as curvas que estariam por vir...

A saída de Yerevan foi realmente complicada, pois eu me recusei a pagar à Garmin 180 dólares para fazer o download das cartas de estradas do Cáucaso para esta viagem, decidindo assim, navegar nesta região à moda antiga, com o mapa.

Isso implica em atravessar as grandes cidades na base do “quem tem boca vai a Roma”.
Nestes países ex-comunistas, a infra-estrutura é extremamente precária e placas de sinalização são consideradas supérfluas. Quando existem, estão em cirílico, em alfabeto georgiano ou em alfabeto armênio, absolutamente ilegíveis para nós.















Perguntando, com as três ou quatro palavras de russo que conheço, a direção de alguma cidade no norte do país, fomos enfrentando o trânsito sem nos perder.

Tenho um amigo que foi piloto de linha aérea. Hoje aposentado, ele me disse uma vez que todo o ser humano tem um momento de imbecilidade por dia. (alguns, tem mais do que isso). E que ele tinha tido sorte e passado todos esses momentos em sua vida, no solo.

A razão pela qual estou contando isso é que esta manhã, saindo de Yerevan na testa do grupo de 6 motos, eu tive meu momento de imbecilidade e desta vez, sobre a moto.
Ocupado em olhar o mapa e a direção que precisávamos tomar para chegar à fronteira com a Geórgia, simplesmente não vi um semáforo, obviamente nesse momento em vermelho, e passei direto em uma bela “roleta paulista”.

Um ônibus, acertadamente, atravessou na minha frente e eu pude desviar para a direita. Nesse momento, um caminhão passava o seu sinal verde. Neste momento, desviei para a esquerda e passei muito, muito perto do pára-choque do caminhão. Um momento de distração que poderia ter-me custado muito caro.

Seguimos em direção ao norte por um altiplano, em torno dos 1500 metros de altitude de uma beleza extraordinária. A estrada, com a sua boa dose de buracos demandava bastante atenção.

Em pouco tempo, percorremos os 150 kms que nos separavam da fronteira e nos dispusemos a, mais uma vez, enfrentar os trâmites burocráticos destes jovens países que não esqueceram a pesada burocracia herdada do velho regime da URSS.

O controle da Armênia nos despachou com uma certa velocidade, sem mais delongas.
Já os georgianos resolveram abrir nossas valises, verificar a bagagem, implicar com os lap-tops, câmaras e filmadoras, etc.

Tudo isso consome enormemente de tempo, sobretudo porque agora somos 6 motocicletas.
O último controle foi muito engraçado:
Dois agentes ficam no último portão. Você chega e um deles pede seu passaporte.
Ele verifica que o passaporte foi devidamente carimbado e me devolve o documento.
Eu o guardo na bolsa do tanque e coloco minhas luvas.
Quando agradeço e me disponho a ir embora, ele me diz:
Por favor, passe o passaporte para meu colega para verificação.
Toca tirar as luvas, procurar o passaporte no envelope de plástico em que se encontra, etc.
Por que ele não passou o passaporte diretamente para seu colega? Vai entender....

Logo que entramos novamente na Geórgia, onde percorreríamos perto de 200 kms até passar a fronteira para a Turquia, o céu se fechou e começou a trovoar. O ponto de fronteira fica em uma planíce a 2000 metros de altitude, rodeada de grandes montanhas, uma maravilha.

A estrada, bastante nova, permitia andar bem, sempre com o cuidado pois a qualquer momento se encontra uma manada de vacas curtindo o asfalto da estrada. Não sei o que elas acham de interessante ficar com aquela cara de estúpida, ruminando no meio de uma estrada movimentada, perturbando completamente a circulação e correndo o risco de ser atropelada por um motorista mais distraído.

A caminho da Turquia fizemos um desvio de 16 kms para visitar Vardzia, uma antiga cidade troglodita.
As pessoas viviam em cavernas na encosta de uma montanha. Fica difícil de imaginar o dia-a-dia dessa gente em um lugar tão peculiar. É extraordinária a psicologia de proteção que utilizavam os antigos.

De Vardzia voltamos à estrada principal, depois de almoçar um Kebab (espeto de carne moída, bastante comum por estas bandas).
Conseguimos chegar à fronteira da Geórgia com a Turquia em torno das 7 hs da tarde. Casualmente, da Armênia para a Turquia há duas horas de diferença de fuso horário e na Turquia eram, portanto, apenas 17 hs. Ou seja, ganhamos duas horas.

O procedimento de saída da Geórgia e entrada na Turquia tomou uns 45 minutos para o grupo todo.
O que não sabíamos é que no finalzinho deste belo dia, teríamos um sol poente de presente em uma estrada que nos levou literalmente às nuvens.

Em poucos kms, subimos até 2500 metros e nos mantivemos em um platô emoldurado de montanhas nevadas, com uma luz horizontal maravilhosa, fazendo com que a sombra de nossa moto se projetasse ao lado da estrada e o sol de fim de tarde deixava os campos e montanhas turcos, bem mais verdes.
A 2500 metros a temperatura caiu para 7 graus, mas mantivemos o ritmo para poder chegar ao nosso destino antes das 8 hs da noite.

A pequena cidade de Ardahan que nos abriga hoje, com 17.00 habitantes e seu único hotel, não tem nada de atrativa. Entretanto, depois das duas horas de frio na estrada, nada como um lugar quentinho para descansar e carregar as baterias para o dia de amanhã onde tomaremos várias estradinhas de montanha, por 500 kms, para chegar a Trabzon, de onde tomaremos o navio para a Rússia no dia seguinte.
 
 
 
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Comentários (2)

2/2/2017 20:27:17
JZ0LNUINH
I would say I am probably close, between all of the dairy and yogurt and chicken. I do1n28#&7;t count exactly. I am eating about 2200 calories per day, so eating lean for me is the only way to get what I need.
 
28/6/2016 12:56:53
MDL64YWZRP5O
I sehecard a bunch of sites and this was the best.
 

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