As Viagens de Ricardo Lugris

REVIVENDO MARROCOS - RICARDO LUGRIS EM VIAGEM

O primeiro dia no Marrocos é uma brutal overdose nos nossos sentidos.
Cheiros, ruídos, cores, luzes, gases de exaustão, sorrisos, acenos, poeira, lama, animais, mercadorias transportadas das mais variadas maneiras, carne assada, frutas, chamadas à oração nas mesquitas... tudo isso vai desfilando no teu entorno como se fosse um enlouquecido turbilhão.

A ordem deste país é absolutamente diferente do que estamos acostumados a ver e, portanto, apesar do aspecto caótico, as coisas funcionam. À sua maneira, mas funcionam.


 
27/10/2012

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Sabendo que estaria saboreando o ultimo bombom da caixa, ou seja, meu ultimo dia neste belíssimo país, deixei o belo hotel em Erachidia, no Sul do Marrocos, para percorrer o caminho que me levaria, se possível sem contratempos e de maneira divertida, até Melilla, cidade espanhola encravada, assim como Ceuta, na garganta dos marroquinos há vários séculos.

A invariável manhã de sol, com temperaturas em torno dos 25 graus convidava a passear de moto.
Nesse dia, meu passeio seria de cerca de 600 km.

Ainda estamos em pleno feriado do Eid e, portanto, as estradas tem um mínimo de movimento, deixando para mim o prazer de poder contemplar as belezas desta região, dura e fascinante, ampla e desolada, brilhante, iluminada e conservadora, tudo isso ao mesmo tempo.

Tomei rumo norte, por uma estradinha secundária asfaltada há algumas décadas, a contar por seu estado, que permitia a passagem de apenas um veículo de cada vez. Para cruzar ou ultrapassar, os dois veículos tinham que sair com uma roda da estrada e dar lugar ao que vinha em direção contrária.

No meu caso, eu tinha que descer do asfalto para a terra/areia, em uma altura de uns 12 cm e deixar o motorista passar. Essa operação, no inicio divertida, começou a ficar perigosa sobretudo nas ultrapassagens, pois o povo daqui, como disse anteriormente, não tem a menor idéia de qual seja a utilidade do retrovisor...

De qualquer forma, a escolha dessa estradinha, com 320 km de comprimento foi acertada pois tinha o deserto ao lado direito e a cadeia Atlas do lado esquerdo em paisagens de tirar o fôlego. Quase acreditava que toda essa beleza era apenas um presente de despedida desse adorável país a este teimoso viajante.

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À medida que vou retornando ao norte, à costa do Mediterrâneo, o deserto vai dando lugar à terras áridas onde se encontram crianças pastoreando ovelhas e cabras, em seguida, a terras povoadas de oliveiras e, mais adiante, já se beneficiando do ar úmido do mar, a terras realmente cultiváveis, já perto do grande Porto de Nador, de onde eu pretendia cruzar a passagem de fronteira, sem grandes dificuldades, para Melilla, território espanhol.

O que eu não esperava era o tumulto que se formou na passagem de fronteira com centenas de jovens marroquinos, que impedidos de passar à Espanha, passaram ao ato violentamente , e retirando pedras e tijolos as lançavam do lado espanhol.

Eu, ali esperando para cruzar a fronteira, me vi com a moto no meio de uma batalha campal onde, como resposta, os policiais espanhóis da tropa de choque, mandavam bolas de borracha com pistolas especiais.

Saí da linha de tiro de pedras e bolas de borracha, pois não sou besta, e coloquei minha moto a um canto, em lugar seguro.

A policia marroquina chegou em seguida, distribuiu algumas cacetadas à direita e à esquerda e os ânimos se acalmaram.

O problema é que as autoridades espanholas mandaram, como represália, bloquear indefinidamente a passagem de fronteira.

Meu navio, saindo dentro de três horas desde Melilla para Málaga , não iria, de maneira segura, esperar por mim.

Através da grade, vi um funcionário espanhol do outro lado.

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Mostrei meu passaporte ( que por coincidência é espanhol) a ele e perguntei, em castelhano: E para nós, como fica? Ele me disse para pegar a moto, dar a volta e passar por Fakhana, outro posto de fronteira, do outro lado de Melilla, a 20 km dali.

Sem perder tempo, peguei a moto e, (ilegalmente no Marrocos pois já tinha feito minha passagem em emigração para deixar o país e, no momento da baderna eu me encontrava em " terra de ninguém" esperando para entrar em território espanhol) parti na direção indicada pelo agente.

Em Fakhana passei sem problemas pelos oficiais marroquinos, repassados pela quantidade de gente nesse dia nessa pequena fronteira e finalmente entrei em Melilla para uma bem merecida cervejinha.

Meu barco sairia às23 h e eu tinha reservado uma confortável cabina para as 8 horas de travessia até Málaga.

Dali, se iniciaria meu retorno de 2.000 km em dois dias até a minha casa, na França.
Nos primeiros minutos de estrada espanhola ainda tive a sensação que as pessoas me cumprimentariam desde os carros que ultrapassava.
Que gente em carroças me acenaria e que crianças acompanhando seus rebanhos de ovelhas e cabras ou, montadas em seus burricos me dariam o prazer de acenar e receber em troca seus belos e espontâneos sorrisos.

Ledo engano. Não estou mais no Marrocos.

Estou de volta à Europa e, com a queda na temperatura, cai também a espontaneidade, o carinho e a bondade nas pessoas.
Assim, de forma anônima e na solidão de meu capacete que eu tratei de povoar com as gratas imagens de rostos e lugares registrados nessa bela viagem, tomei, quilômetro, após quilômetro, o meu caminho para casa.

Nas mais de vinte horas que durou o retorno à minha casa, por várias vezes desejei que essa influencia individualista do mundo ocidental nunca chegue a atravessar o estreito de Gibraltar e que o Marrocos e seu povo continuem sendo sempre essa gente carinhosa e hospitaleira, centrados em família, religião e amigos, por muito tempo ainda.



26/10/2012

Deixar Marrakech pela manhã implicava em evitar ser testemunha do imenso e incontável sacrifício de carneiros por ocasião do Eid.

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Como muitas famílias não dispõem normalmente de espaço em suas casas e ninguém, mesmo no Marrocos, é louco de sangrar um ovino na sala de jantar, acabam por executar o pobre animal na calçada, sem maiores cerimônias. E ali mesmo o carneiam.

Sabendo que as execuções seriam após a oração da manhã, em torno das 9, atrasei minha saída em um agradável café da manhã no hotel com meus amigos italianos.

Estes, com mais tempo para sua viagem, permaneceriam um outro dia na misteriosa, caótica, agressiva e bela Marrakech, antes de empreender viagem por um roteiro um pouco diferente do meu.
Assim, em torno das dez da manhã, fui levado pelo gerente do Riad em um scooter pelas ruelas do velho mercado até o estacionamento onde se encontrava minha moto.

Fui, na traseira da lambretinha, absolutamente borrado de medo! O cara era doidão para conduzir aquela coisinha.

As ruas de Marrakech tinham ares de Brasil em final de copa do mundo com a seleção jogando. Nin-guém nas ruas.

Saindo em direção à cordilheira de montanhas Atlas, ao sul da cidade passei por alguns bairros mais populares onde pude constatar que cabeças de Carneiro, com os chifres e tudo, já estavam sendo assadas em grelhas improvisadas nas calçadas.

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Isso, felizmente durou pouco e, em alguns minutos ganhei a estrada sem ser obrigado a ter que assistir a esse processo de fé bastante estranho para mim.

Sem pretensão, acho que viajei muito em minha vida para poder adotar uma atitude aberta e compreensiva em relação a qualquer ritual, crença ou tradição. Tento não julgar por não me considerar competente, simplesmente.

Entretanto, há coisas que prefiro não gravar em meu registro de memória. E esse, é um direito meu.
Já na estrada, céu azul, 25 graus e a liberdade de ser dono de seu próprio nariz novamente. Sem o grupo, posso andar a meu ritmo, parar para fazer as fotos que quero e fazer o caminho que me der mais prazer.

Viajar em solo é a quintaessência da liberdade

Entretanto, acordei hoje com um pressentimento. Estava angustiado desde que tirei a moto do estacionamento.


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Dobrei a precaução, caso este seja um aviso que não consegui decifrar e fui me dedicando à estrada.
Vejo que começo a subir montanhas e, imediatamente, como é de se esperar, a temperatura vai descendo.

A chegar ao topo em um passo de 2200m de altitude, a temperatura era de apenas 10 graus. Parei para colocar mais uma manga e trocar as luvas.

Ali, encontrei um grupo de 10 BMW GS 1200 com placas espanholas. Fiquei na minha, estacionei a moto e esperei que eles se decidissem vir me falar.

Não demorou muito para que se aproximasse o primeiro, o segundo e o terceiro.

Em poucos minutos estávamos discutindo em uma animada rodinha. A moto tem realmente seus aspectos extraordinários!
Tratava-se de um grupo organizado por uma empresa de turismo em moto da Espanha. Tinham até carro de apoio!

Um pouco exagerado viajar assim. E ainda chamam a viagem de "aventura"!

Poucos quilômetros mais adiante, entrei na estrada de Teluet que tinha percorrido há cinco anos atrás e lembro ser muito bonita. Agora a estradinha que vai percorrendo um belíssimo vale e gargantas, está asfaltada.

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Os vilarejos que vou passando, com suas kashbahs (antigos palácios construídos em argila) e as casas ainda feitas desse material tradicional tão abundante nesta região são espetaculares.

Faço uma parada para umas fotos de uma bela aldeia e vejo se aproximar um rapaz em trajes tradicionais berberes.

Pergunto: Podes me fazer uma foto? A resposta, à queima roupa: Não.
Fiquei assim, meio com cara de espantado.... Não esperava essa resposta, mesmo sabendo que os marroquinos, assim como a maioria dos árabes, odeiam que se lhes tire fotos.

Novamente na estrada principal, sempre a 2000 metros de altitude, vou curtindo essas montanhas de cores vivas, desde o vermelho, passando pelo dourado, cinza e verde.

Fiz uma parada para uma foto, na Kashbah de Teluet, no mesmo lugar onde tirei uma foto há cinco anos. A Kashbah não mudou nada, em compensação, eu, acho que estou bem mais rodado.

Em seguida, passo pela bela cidade de Ouarzazate, capital do deserto, Hollywood do Marrocos. Aqui foram feitos muitos filmes de faroeste espaguete e outros como Ben Hur, Asterix, Lawrence das Arábias.

Ouarzazate é toda de cor salmão. Realmente muito bonita.

Sem muito tempo para visitas turísticas pois são já 15 h e eu ainda tenho 300 km pela frente.
Como escurece cedo, preciso, pelas razões que já conhecemos, evitar de pegar a noite na estrada.
Tendo cruzado as montanhas, a partir de Ouarzazate estou no deserto. A paisagem é plana a perder de vista. A estrada convida a andar em bom ritmo. Não há circulação. Todos parecem estar ainda envolvidos com as tripas dos carneiros.

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Em torno das 17 h, a luz vai ficando horizontal e um espetáculo de cores, sombras e reflexos se inicia no deserto. Poucos lugares no mundo são tão bonitos ao entardecer. A estrada, de uma reta interminável, vazia de carros e outros veículos me dava a impressão de uma estranha e nostálgica solidão.

O poeta Baudelaire sonhava de outros lugares e se dizia apaixonado pelas nuvens porque estas passavam...

Ao mesmo tempo essa solidão se povoa de pensamentos, lembranças e referencias.

É um momento em que o emocional se apodera do mental e, tanta é a tranqüilidade, a paz e serenidade desse instante que sentimos estar conosco todos os amigos, família e todos os que amamos.

Acabo por perceber que o momento não é de solidão, é de plenitude.

Voltando a atençao à minha moto, após a rápida caida da noite e, apesar da boa velocidade, com as constantes paradas para fotografar, não consegui evitar ainda ter que fazer 80 km à noite para chegar a Elrachidia, meu destino de hoje.

Amanhã devo tomar rumo norte iniciando a volta para casa. O frio e a chuva vão temperar meu caminho a partir do desembarque na Espanha no domingo. Seguramente as cores das montanhas e as luzes do deserto continuarão a povoar minhas memórias.


25/10/2012

Passar de uma viagem em solo a uma viagem em grupo, mesmo que seja por um dia, muda completamente a dinâmica de movimento. Mesmo tendo seu lado positivo, de companheirismo e camaradagem, o grupo demanda muito mais paciência e capacidade de adaptação.

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Deixamos a linda Essauíra por uma excelente estrada, em direção ao leste com a intenção de alcançar Marrakech, a capital do deserto, o oásis mais famoso do norte da África.

Deixando a costa começo a perceber que o relevo e a vegetação mudam. O primeiro fica plano, ventoso e empoeirado, prenunciando o deserto e a vegetação vai ficando esparsa, mais dura, mais sofrida pelo calor e pela terra seca.

Rodando no final do grupo, como "ferrolho", (que é o motociclista que se preocupa caso alguém tenha de parar para evitar que qualquer membro do grupo fique para trás), vou observando a vida dura desta gente. O veículo principal de transporte ainda é o pequeno burrico, ainda menor do que o nosso jegue nordestino. Imagino que nossas motos devam ficar a milhões de anos luz na mente dessas pessoas de alma simples e descomplicada.

Quantas dificuldades inerentes à vida moderna eles desconhecem e não precisam experimentar? Suas necessidades são básicas: sobreviver. Seus espíritos são alimentados por uma vida totalmente direcionada e controlada pela religião, centro de suas existências.

Estamos na região chamada de "vale do Argan", onde, a partir de uma espécie de castanha em uma árvore selvagem que só existe nesta parte do mundo, se produz um óleo especial, usado milenarmente na medicina, cosmética e também na cozinha.

Fizemos uma parada em uma cooperativa de produção, totalmente manual desse óleo e de produtos derivados dele.


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A particularidade dessa cooperativa é ser formada por mulheres viúvas e divorciadas da região.
Estigmatizadas por uma sociedade conservadora e bastante primitiva em termos tribais, essas mulheres, se não tiverem apoio do governo ou de associações de assistência, esta fadadas a perecer na fome e no abandono de seu entorno.

Com prazer acompanhamos a ciclo de operações que levam à produção desse óleo dourado e de perfume levemente amendoado.

Compramos alguns produtos, fizemos uma bela foto e continuamos nosso caminho.

Em um pequeno povoado, detivemos as sete motos para um telefonema e fomos rodeados de crianças. Para essas ocasiões, trago sempre na bagagem, lápis e canetas para distribuir. Para eles, um presente útil e valioso.

Suavemente fomos chegando, na metade da tarde, a Marrakech. A cidade estava calma em suas largas avenidas, pouco transito, é véspera de feriado.

Vemos passar muita gente com seus carneiros para o Eid El Khebir que começa nesta sexta feira, logo após a oração da manhã com a degola em sacrifício desse pobre animal.

Dez milhões de carneiros serão executados as 9 h da manha. Nesse dia, seus miúdos serão consumidos e a carne será deixada secar por dois dia. Em seguida, a carne será consumida pela família ao longo de uma semana.

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24/10/2012

Estou em Essauíra , o principal Porto de pesca do sul do Marrocos, onde cheguei ontem à noite, depois de um belíssimo trajeto entre Oualidia e esta bela cidadezinha histórica.

Meu hotel se encontra no interior da parte murada da velha cidade, a Medina, aqui chamada de Mogador. Trata-se de um Riad, uma residência de gente rica do século XVIII, hoje transformada em um adorável hotel de charme.

Decidi não rodar hoje, em primeiro lugar, porque o lugar é muito bonito e merece um pouco mais de atenção.

Essauíra é um lugar cheio de vida, de rumores, de impressões que valem a pena ser percebidos com mais vagar. O ruído estridente das milhares de gaivotas, o comércio incessante, o vai e vem de mercadorias, gente que compra peixe no mercado, o louco da cidade que vaga pelas ruas vestindo mais de uma dezena de casacos, um sobre o outro...
Músicos e acrobatas nas praças, os vendedores de tapetes, meu modelo como vendedor, as lojas de especiarias que visitam teu nariz e os perfumes que invariavelmente permanecem contigo por ainda alguns minutos. Tudo isso é esta pequena e animada cidade-porto.
Em segundo lugar, decidi ficar porque depois de quatro dias e 3.000 km, estou bastante cansado.

Descansar da posição da moto, poder esticar as pernas em relaxastes caminhadas por estas ruelas, muralhas e cais de porto presenteiam meus músculos e descansam minha mente.

E, a terceira razão de ter ficado , porque dois de meus bons amigos motociclistas da Itália, Cláudio e Rinno devem chegar aqui em Essauíra com um grupo de seis motos em viagem em torno do Marrocos. Iremos juntos daqui a Marakech, passando pela região de produção do óleo de Argan, muito apreciado na cosmética.

Assim, como o mais comum dos mortais turistas, estive vagabundeando entre a praia, o mercado, as lojas de tapetes e de todas as quinquilharias que você compra e em seguida não sabe o que fazer com elas em casa.

Visitei também o porto de pesca onde almocei centola, aquele enorme caranguejo.
Pena que não pôde ser acompanhado de vinho, nem mesmo cerveja... Quanto mais ao sul e quanto mais no interior do país, mais muçulmano ele vai ficando, e maiores as restrições quanto a bebidas alcoólicas na maioria dos restaurantes.
Fui esperar os amigos italianos à entrada da cidade pois não é muito fácil chegar ao nosso hotel. O trânsito de automotivos é proibido na medina, na velha cidade.

Todos instalados, fomos jantar novamente no Porto e negociamos um surtido espetacular de peixes, caranguejos e lagostas, acompanhadas de cervejas escondidas pela incrível soma de 15 euros por pessoa. Quase o valor de um McDonald's em Paris...

Como disse, seguiremos amanhã para Marakech onde estamos todos convidados a uma festa local, com direito a danças típicas e muito cuscuz .Os italianos permanecerão em Marakech mais um dia ou dois.

Eu continuarei minha viagem em solo no dia seguinte, contornando as montanhas Atlas por Ouarzazate para retornar a Melilla, um dos enclaves espanhóis no Marrocos e dali, passar à Espanha por ferry.



23/10/2012
Amanhecer no pequeno vilarejo de Oualidia vem com os muezzin chamando para a oração às seis horas da manhã.

O tom oriental desses cantos que enaltecem a grandeza de Aláh passa um sabor de exotismo.
Entre sono e lucidez temos aquele curto instante de abandono, de desorientação, de inquietude. Onde estou? E, sobretudo, para que lado fica o banheiro no quarto deste hotel que já não lembro mais...!!

Viajar de moto, em geral implica em visitar um hotel diferente a cada noite. Para quem é mais apegado a seu travesseiro ou demora a se acostumar com uma cama, melhor achar outro tipo de viagem.
Oualidia não decepcionou de dia. A apenas cinqüenta metros do hotelzinho/pousada adorável que tinha reservado a partir de um guia turístico, estava a praia. Melhor dizer, uma das praias, pois este povoado tem uma lagoa e duas costas que produzem condições de ondas particularmente diferentes.

O mar aberto, nosso velho e bom Oceano Atlântico, (só que visto da outra "margem"), tem ondas potentes e violentas. Do lado norte da praia, contido por vários rochedos, o oceano entra muito menos nervoso.

Um pouco mais além, uma laguna produz grandes quantidades de peixes e mariscos, de forma selvagem, ou por cultivo.

Passei uma parte da manhã na praia, mas confesso que não estou em modo de contemplação. Em torno das onze da manhã eu já estava ansioso para partir. O mapa mostra uma estrada ao longo da costa e, pelo que eu já tinha visto, vale a pena continuar.

Raras vezes menciono o hotel em que fico pois não acho muito interessante ficar fazendo propaganda, seja esta positiva ou negativa. Vou mencionar o hotel em Oalidia , pois fui muito bem recebido pelo casal de proprietários, o jantar foi excelente, o quarto também e o preço, muito mais do que correto.

Aliás, hospitalidade é uma das grandes qualidades do árabe. Em todos os hotéis que fiquei até agora no Marrocos, o serviço, limpeza e atendimento foram irreparáveis.















Com o sol à minha esquerda e um céu absolutamente "de brigadeiro" vou levando minha GS em uma estrada que serpenteia por colinas a uns 100 metros acima do nível do mar e, à direita, praias intermináveis de areia branca molhadas por um oceano profundamente verde completam o cenário quase de sonho.

E o que é melhor... Não tem movimento na estrada. Posso relaxar e tocar minha moto ao meu ritmo, parando sempre que me der vontade para apreciar a vista, fazer uma foto ou, simplesmente para perceber, ter a consciência de que estou ali.

Na metade do dia a temperatura começa a pegar um pouco mais forte. O termômetro da moto marca 32 graus. Com a brisa marinha, sobretudo quando me aproximo da praia, há uma queda de uns 4 graus e o perfume de maresia refresca o interior de meu capacete.

Os vilarejos são poucos nesta região. Cercas para separar pequenas propriedades são feitas de pedras. Há muitas casas abandonadas e outras fechadas. Deve ser o Eid Kabir. Um feriadão de 5 dias.
Algumas pessoas acenam e sorriem.
Ao passar, vejo dois jovens colocando um carneiro (vivo) no bagageiro de um onibus. Esse, ainda não tinha visto...

O carneirão vai de ônibus! Deve ter sido o ultimo desejo dele...
Visito a bela cidade de Safi. Como todas as outras nesta costa, bem fortificada. São 14 h e eu decido parar a moto para visitar o "soukh", o mercado da cidade.
Minha visita durou pouco.

O calor, a multidão e os "aromas" eram insuportáveis.

Decidi que prefiro a liberdade e os espaços da estrada da costa..

Finalmente cheguei a Essauira, o belo porto do sul do Marrocos com sua medina, chamada Mogador, espetacular. No interior das muralhas concentram-se as casas, em geral do século XIV ou XV, todas de cor branca.

Ali, na Medina de Essauira, reservei um quarto em um Riad, um palácio do século XVIII, e que vai me custar 30 euros a noite, com o café da manhã incluído.
Eu não disse que a hospitalidade marroquina é extraordinária?



22/10/2012
O que primeiro se percebe é a amabilidade e curiosidade deste povo. São hospitaleiros e muito, muito, curiosos. Querem saber tudo sobre você e sobre a moto.

A pergunta inicial é: Quanto custa?

Despedi-me de meus amigos Albano e Pippo em Tânger, terminei de fechar minha bagagem com calma e tranqüilidade e saí para a já movimentada estrada em torno das 9 da manhã.
Minha direção seria o sul, empreendendo as vias secundárias que acompanham a costa atlântica do Marrocos.

Como disse ontem, tive uma dose cavalar de auto-estrada e, apesar de que elas são muito boas neste país, vou tentar percorrer os 500 km de hoje por caminhos do interior e usufruir do privilégio de poder ver o dia-a-dia deste povo, em seu mais sincero habitat, fora das grandes aglomerações.

Meu GPS não funciona aqui. Como não tive tempo de acrescentar as cartas desta região, vou navegar à moda antiga: pelo mapa.

Na verdade, eu sempre acompanho as estrepolias do GPS da moto pelo mapa. Para evitar que ele faça besteira. Invenção de americanos, famosos pelos conhecimentos de geografia não dá para confiar inteiramente, não é?

Em 2007 quando vim pela primeira vez de moto ao Marrocos, percebi que as estradas são relativamente boas, apesar do modo peculiar de conduzir de seus habitantes.
O espelho retrovisor, por estas bandas, é apenas um suporte para pendurar enfeitinhos dos mais variados.

Portanto, todo cuidado é pouco.

Estamos na semana da festa do Eid Kabir, a festa do carneiro. Será feriado e, na sexta feira, centenas de milhares de carneiros serão sacrificados e consumidos pela população marroquina.
Assim, a cada vilarejo em que fui passando, há feiras para vender essas pobres criaturas condenadas à morte sem chance de julgamento.

As pessoas vão embora com seu carneirinho em motos, jipes, camionetas e mesmo de taxi. O bicho está vivinho, feliz com seu novo dono, pensa que foi adotado e que vão lhe dar um nome. Mal sabe ele que o novo dono só repara nos pernís e nas costelas do animal...

Adorei ver as crianças saindo das aulas. Nas escolas primárias e se ensino médio, os meninos usam batas azuis e as meninas, batas rosa. Os prédios de escola, apesar de ser um país relativamente pobre, são novos, limpos e organizados. Aqui, como em qualquer país muçulmano, a educação é importante. A taxa de analfabetismo é praticamente zero. Você não pode praticar a religião e ser um bom muçulmano se não puder ler o Corão.

O dia foi se estendendo entre mercado onde se vende de tudo, do prego ao caminhão, paisagens agrícolas e pessoas que te acenam.
Quando você cumprimenta de volta é quase uma comoção.

Em duas oportunidades fui fotografado desde um carro que me ultrapassava. Perigosinho, isso.

Em El Jadida, bela cidade de influencia de portugueses que controlaram esta costa no século XV, antes de "descobrir" o Brasil e abandonar tudo por aqui. Assim, traços e herança culturais estão na fortaleza, (eles eram mestres na arquitetura militar), nas cisternas e nos ancoradouros.

Ali, pude observar um belíssimo pôr-de-sol sobre o mar e aproveitei para registrar em fotos.

A demora na admiração do poente e a precipitação da noite caindo rapidamente às seis da tarde, me deixaram o problema de ter que conduzir a moto na escuridão por uma pequena estrada caótica repleta de asnos, ovelhas, e cães (esses foram os que pude identificar) além de todo tipo de bicicleta, scooters, motonetas, etc.

Motocicletas não foram feitas para viajar à noite. É simplesmente muito perigoso.

Apesar do final de dia radicalmente esportivo, valeu a pena chegar ao pequeno povoado de Oualidia , um pequeno paraíso que, em função da escuridão completa eu só vou conhecer amanhã.
O hotelzinho é simpático, tem um bom restaurante e lugar para estacionar a moto com segurança.

Aspecto este a não ser negligenciado. Para jantar, uma boa seleção de frutos de mar, aparentemente extraordinários neste lugar. vinho, um rosê marroquino. Espontâneo, inesperado, fora do padrão para um vinho desse tipo. Normal, segue a norma local, surpreende.

Saúde!



21/10/12

Vou começar com um lugar comum: Nada como um dia depois do outro...

Amanheci em Burgos a tempo de ver os peregrinos do Caminho de Santiago passar diante da porta de meu hotel, em uma ultima despedida à suntuosa Catedral, antes de tomar a estrada com seus Kways, suas mochilas, seus cajados e suas conversas sobre qual o tênis que machuca menos...
Nesse momento, pensei que a chuva que eu tinha apanhado também teria seguramente regado aquelas criaturas muito mais vulneráveis, bondosas, beatas e cordatas.

Voltei para o quarto recolher meu varal de equipamento molhado, devidamente enxuto graças à calefação no úrrrrtimo, paguei e parti ainda antes do sol nascer. Nada complicado, nesta época do ano, amanhece depois das oito horas da manhã... Apesar do tempo nublado e uma temperatura em torno dos 10 graus, a chuva, aquela de ontem parece efetivamente ter ficado para trás.

Coloquei a música no IPod/Capacete e fui curtindo a excelente superfície das auto-estradas espanholas. Elas são perfeitas, em seu traçado, ângulo de suas curvas, sinalização, túneis, etc. Bom dinheiro da generosa e sempre presente, União Européia.

Percorri os 230 km que separam Burgos da capital da Espanha em duas horas, com direito a frio e chuva na serra de Guadarrama, a 80 km de Madrid. Sem maiores problemas pois desta vez, a chuva durou apenas uma meia hora.

Para chegar a Algeciras, Porto no extremo sul da Espanha, escolhi a estrada do Oeste, passando por Cáceres , Mérida (não esqueça de ler o "i"....!), Sevilha e Jerez de La Frontera, em 980 km desde Burgos.

O sol apareceu logo após Madrid e, junto com ele algumas canções que eu gosto de cantar. Assim, fomos fazendo uma parceria. Rita Lee cantando "Ovelha Negra", eu desafinando, e a moto, dando o ritmo com seu ronronar de "gata no cio".

A temperatura em torno dos 17 graus dava o complemento final a esse domingo sem maiores pretensões através da Espanha.

Cheguei ao Porto de Algeciras às 18 hs, 10 horas depois de ter deixado Burgos. Uma média horária não negligenciável. Embarquei quase imediatamente no primeiro navio disponível para Tânger.

Uma das boas coisas na moto é que, por não ocupar espaço no navio, sempre temos lugar e sempre somos embarcados em prioridade.

A bordo encontrei duas motos iguais à minha, com placas de Torino. Uma delas eu conheço, pois tem o nome do dono desenhado na lateral do tanque: Albano Marocco. (Vejam a coincidência nesse sobrenome).

Albano foi um dos amigos italianos que viajou comigo pela Rota da Seda, até o Uzbequistão em 2008!
Bela coincidência. Estava acompanhado de Pippo, outro velho amigo e grande motociclista e iniciam uma viagem no Sul do Marrocos, no Sahara Ocidental e Namíbia.

Combinamos de ir juntos e jantar em Tânger, após a rotina de imigração e alfândega marroquinas.
Os procedimentos tomaram quase uma hora apesar de, mais uma vez, termos sido desembarcados em prioridade e o agente de policia ter sido muito atencioso.

Imagina se não fosse... Tive que mostrar meu passaporte 3 vezes, preencher dois formulários e visitar 4 guichês.

Quando o agente me entregou os papéis, uma última pergunta: "Você está trazendo arma?" Ri e disse que não.

Tomamos a auto estrada que liga o Porto à cidade de Tânger enquanto eu pensava: uma auto-estrada é igual em qualquer lugar do mundo.
















Nesta viagem, vou precisar fazer 4000 km em autopistas da Espanha e da França, de ida e volta.
No Marrocos, na medida do possível, vou evitá-las.


20/10/12

Qualquer partida para uma viagem implica em uma certa dose de ansiedade pois, por mais banal que a jornada seja, sempre haverá uma grande dose de imponderáveis, de desconhecidos, de elementos-surpresa.

Pessoas apegadas à rotina são costumeiramente, maus viajadores. (Aqui, o termo "viajador", é de propósito. Ele não existe, mas eu gosto de utilizá-lo para denominar pessoas que amam viajar, em oposição a "fazer turismo).

Bem, cheguei de uma viagem de trabalho ao Brasil ontem à tarde e, enquanto esvaziava uma mala de trajes, camisas sociais, grava tas, etc. Enchia uma outra com polos, camisetas, tênis e tudo aquilo que serve em uma viagem de moto, ou seja, muito pouco.
Felizmente, previ meu macacão de chuva apesar de estar indo para o Sahara, no Marrocos... Certo. Para chegar ao Marrocos, eu tenho antes que atravessar toda a França e a Espanha.

Não deu outra, saí cedinho pela manhã com muita chuva e, a apenas 4 km de casa tive que colocar o conjunto impermeável completo.

Foi um dilúvio que durou 1100 km ao longo de 12 horas.

Em certos momentos na autoestrada, eu tinha a impressão de estar conduzindo a moto por "tato", quer dizer, pela sensibilidade do contato dos pneus com o asfalto. Não conseguia ver nada! A 120 km/h, é pelo mínimo, assustador.

Como todo bolo tem sua cereja, parou de chover nos últimos 100 km do dia e esfriou onde eu me encontrava, nas montanhas de Astúrias, no norte da Espanha.
Botas, luvas, echarpe e punhos da jaqueta estavam molhados.

Conduzir por uma hora com mãos e pés encharcados em temperaturas de 8 a 10 graus serve para refletir que em qualquer situação, sempre pode ficar pior.

Cheguei a Burgos, a elegante capital de Leon e Castela, túmulo dos reis católicos e do El Cid Campeador, ícones da história espanhola.

Consegui um quarto em um belo hotel em frente à majestosa catedral com uma maravilhosa vista sobre a rua de trás.

Ocupado com o varal de roupas e utensílios molhados espalhados pelo quarto, não vou ter muito tempo para apreciar a bela vista da catedral gótica, patrimônio classificado pela Unesco.

Amanhã acordo cedinho pois tenho mais 900 km para chegar ao Ferry em Algeciras, ao lado de Gibraltar de onde cruzo para terras marroquinas: Tanger.
Espero que sejam sem chuva...

O primeiro dia no Marrocos é uma brutal overdose nos nossos sentidos.
Cheiros, ruídos, cores, luzes, gases de exaustão, sorrisos, acenos, poeira, lama, animais, mercadorias transportadas das mais variadas maneiras, carne assada, frutas, chamadas à oração nas mesquitas... tudo isso vai desfilando no teu entorno como se fosse um enlouquecido turbilhão.


A ordem deste país é absolutamente diferente do que estamos acostumados a ver e, portanto, apesar do aspecto caótico, as coisas funcionam.
À sua maneira, mas funcionam.

O que primeiro se percebe é a amabilidade e curiosidade deste povo. São hospitaleiros e muito, muito, curiosos. Querem saber tudo sobre você e sobre a moto.
 
 
 
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Comentários (13)

2/2/2017 20:29:57
1UOUY1LWYQZD
Michelle | September 18, 2010 at 12:32 am |My greatest regret–of all men, black men, why the choice of the scum of the earth?? What must decent black people think?Colin PoA;&ll#8230ewlan Keyes…You know when a teacher, politician, lawyer, banker fails, it affects all of that profession.Colin Powell…Alan Keyes…
 
28/6/2016 16:09:13
BJ9WKZDC
Im not easily imspersed. . . but thats impressing me! :)
 
29/7/2015 05:46:05
6L29SPFHH
"... mas quando joegui contra um enorme talento chamado Diogo Rosado e 2 anos depois vejo-o a ser dispensado pelo Sporting sem nunca ter feito uma pre-epoca, fico algo desalentado... (porque jogar em equipas de contra-ataque como se3o Feirense, Penafiel ou Real M nunca sere1 favore1vel a um jogador que precisa de bola como ele)." Pelo que se sabe ele procura pouco a bola, espera que ela ve1 ter com ele.Os te9cnicos do Sporting, sabem melhor que ningue9m, daquilo que ele e9 capaz de produzir em campo.Duvidar deles e9 dar-lhes um atestado de incompeteancia de forma injusta. Os jogadores de agora, team de ter muita determinae7e3o, fore7a de vontade e espirito de sacrificio, para ale9m do talento que possam ter.Olhe-se para o Fe1bio Paim, um fenf3meno com a bola nos pe9s, mas sem mais nada que o ajudasse a afirmar-se como futebolista da alta competie7e3o.Os "brinca na areia", no futebol de agora ne3o vencem.Sf3 team futuro no circo.
 
23/11/2012 07:34:20
PAULO GALHARDO
Caro Ricardo Lugris,
não lhe resta outra alternativa em escrever um livro. e nos presentear. Muito bom! Nunca fui à Marrocos, mas estive em alguns momentos por lá através do seu texto.
Galhardo (Ribeirão Preto - SP)
 
5/11/2012 12:10:15
RICARDO LUGRIS
Caro José Augusto,
Você poderá encontrar uma boa empresa de aluguel de BMW GS 1200 em Barcelona. Não tenho aqui o nome mas não é difícil conseguir por Internet. Verifique que o seguro cobre o Marrocos, caso contrário voce deverá fazer um seguro na entrada do país. De Barcelona, voce pode descer até Almería e pegar o ferry ali para Tanger. No mais, é só fazer uma boa viagem... ABs.
 
4/11/2012 08:58:10
JOSÉ AUGUSTO
Já estive em Marrocos em 2003, mas com esposa e filhos, agora lendo o seu texto Ricardo Lugris, vou tentar encontrar uma forma de alugar uma moto da Europa e inspirado na sua vibração, quero fazer o mesmo. Você pode me dar uma dica em onde alugar uma BMW GSA ou KTM? Obrigado e parabéns.
 
3/11/2012 19:29:38
JOSE ROBERTO BISPO
Lugris não o conheço pessoalmente, mas sinto ser seu amigo há décadas, principalmente pela dissertação a qual faz das sua viagens. É exatamente como me sinto.
Lugris, parabéns e obrigado por nos dar esta carona.
Bispo (Cascavel - PR)
 
3/11/2012 16:24:49
ALCIRAM
Um dia eu ainda realizo meu sonho, de fazer uma viagem dessa, parabéns a todos, um motoabraço.
 
29/10/2012 22:40:40
FERNANDO CAIADO
Ricardo Lugis, você aguça a vontade de viajar por estes cantos.
Sou amigo do Eduardo Wermelinger, seu parceiro, e o Edu me falou muito de Marrocos, principalmente a travessia de moto pelas Montanhas Atlas.
talvez você este com problema de conexão por aí, mas continue nos relatando a sua viagem.

um forte abraço.
 
27/10/2012 15:38:57
DEBORAH FREIRE
Caro Ricardo Lugris,
Estive com meu marido, Dalton Freire, por Marrocos, e quem sabe um dia, voltaremos de moto.
Boa viagem.
 
26/10/2012 18:18:11
FRANKLIN ARNOLPH
Ricardo Lugris parabens pelo relato. Voce nos integra em sua viagem. Estamos acompanhando.
Saudaçoes.
 
26/10/2012 16:51:38
WANDERLEY LIMA LONGHI
Bela viagem que esta fazendo, com uma interessante narração. Sou conhecido da Graça, quando morou em Passo Fundo. Viajo tembém, mas de bicicleta. Até
 
25/10/2012 09:22:12
CASSIA
Apesar de não conhecer esse país sou apaixonada por tudo que diz respeito a ele,seu povo ,crença,comida,cores,fiquei muito feliz em saber mais sobre marrocos e com certeza vou conhecer.
 

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